12 27am1 2009
Não vi qual era a estrada.
Não vi a que caminho,
ungido à deriva,
se destinava a obscura paixão.
Entrei nesse vão,
desiludido e só,
um monte pequeno de pó,
levado pelo desejo,
orgulhoso do beijo
conseguido, airoso,
nos louvores do virtual.
Saraiva Filho 27/08/08
O sentimento dilui,
ferido por silêncios inexplicáveis,
desbotadas porções de angústias,
que não flui,
aniquila, polui
e , nas atmosferas insondáveis,
conclui:
amores perdidos
somem da lembrança,
esvoaçam na balança
de novas conquistas.
Saraiva Filho 26/08/08
Só falta a quem dizer te amo,
em cada curva do rio,
mesmo no frio
e como é bom, como!
Estar no limite do cio,
procurando o arrepio,
em cada curva do rio.
Saraiva Filho 21/08/08
Encontrei versos,
solturas azuis
em esteiras amarelas,
nos dois anos de encaminhamento
e, absorto nas ondas do vento,
distribui estribilhos´
esquilos como agasalhos e trilhos,
nas neves, nuvens,
do estardalhaço da querência,
mesmo com desavenças,
normalmente o cume
do apartar estrangulado,
mas, no ato, a arte,
suporte e encarte
de uma paixão longínqua
sustenta a emoção,
loção sutil do perfume
de nossas vidas.
Saraiva Filho 15/08/08
Horizontes longínquos,
uma tristeza infernal
com o tons canhestros,
cheios de vinco.
Um sonho cortado ao meio,
como um rio que veio,
separou e, na inundação
desigual, plena de dor,
aflorou mágoas e trejeitos,
como os feitos
em argila composta,
da escultura de vida,
sem assar,
frágil, fácil de quebrar.
Saraiva Filho 10/08/08
Vi a essência do sol,
a luz afrancesada
de visão deslumbrante
e, como amante,
vislumbrei o nariz atraente,
posto ao inverso do meu,
ao beijar tua boca
de lábios finos,
desacreditando como ateu
no coração vibrante,
no amor latente
a aflorar meu espaço latino,
febril, aventurado,
por te ter a meu lado.
Saraiva Filho 04/08/08
Do verso, a partícula,
ridícula parte
intransigente e divertida
de ser minguante,
extravagante,
na concisão perene
de um universo,
lado perverso
do seu criador,
inconstante , perturbador,
das ondas verdejantes
da disciplina diária.
A razão incólume
de ter o invólucro
da fantasia e da beleza,
na grandeza de fazer todo dia
o objeto de sua via.
Saraiva Filho 02/08/08
12 23am1 2009
Na sombra da lua
escondo a melhor parte,
aquela em que se faz arte,
na escuridão nua
dos deleites de criar.
Aponho sonhos em cores,
odores maléficos na luz
e fico como andaluz,
viajante de cordames,
em todos os trajes
nas viagens longínquas e fugazes.
Saraiva Filho 18/07/08
Faço das manhãs
o sonho,
o pérfido golpe insano
de me enganar
com os traiçoeiros sons profanos.
Abro a janela,
Tolice!
Nada com cheiro de aventura
só a mais pura
avidez da mesmice.
Saraiva Filho 26/07/08